A grande maioria dos jogadores ganha pouco

Durante os próximos trinta dias, o pernambucano vai ter futebol o tempo inteiro. Há várias competições em andamento: Copa do Brasil, Sul-americana, final do Campeonato Pernambucano...

Isso sempre alimenta o sonho de muitos meninos de pisar gramados - principalmente os da Europa, onde os jogadores ganham tanto dinheiro quanto nossos atletas da política. Entretanto, os jogadores que ganham milhões não são a regra. São exceção. A maioria dos jogadores ganha pouco. "Ganha"? Ou "ganham"?

O gramado da concordância verbal é escorregadio e irregular, embora às vezes aceite duas regras, facilitando a vida de quem fala. É o que ocorre com a expressão "a maioria de", quando seguida de um nome no plural. Nesses casos, o verbo fica, de preferência, no singular, concordando com o termo "maioria" (núcleo do sujeito); aceita, contudo, o plural quando se quer realçar a ação individual de cada ser. Assim, podemos dizer ou escrever: "A maioria dos jogadores ganha pouco" e "A maioria dos jogadores ganham pouco".

A mesma regra se aplica às expressões "a maior parte de" e "grande parte de". O próprio VANGUARDA nos dá um exemplo correto: "...a maioria das pessoas que viviam da extração do barro fabricava apenas louça utilitária". A forma verbal "viviam" está no plural porque tem como antecedente o pronome relativo "que", que substitui "pessoas". Mas a forma verbal "fabricava" aparece no singular, concordando com "maioria". Espero que a maioria dos leitores tenha entendido. Ou tenham.

Até a próxima