As cores do discurso político

A campanha eleitoral já começou. É bem verdade que de forma ainda tímida. Não vejo a hora de começar a assistir ao guia da TV. Este ano, aqui em Caruaru, a disputa pelo cargo máximo do executivo será acirrada. Ninguém sabe quem será o novo prefeito. Mas para vereador a briga é ainda mais disputada - para não dizer "divertida". Uma "plêiade" de desinformados (permitam-me o paradoxo, não resisti) e despreparados querendo bons salários e mordomias certamente garantirá momentos engraçados na frente da TV. Lamentavelmente são poucos os eleitores capazes de entender um debate político sério.

A palavra mais comum nos próximos dias será "candidato". A etimologia nos mostra que já deveriam ter trocado o nome de quem deseja ocupar um cargo público. Sim, porque "candidato", palavra que veio do latim "candidus", significa "branco", "brilhante", e, por extensão, "puro", "sincero". Na Roma antiga, o cidadão que concorria a um cargo público vestia uma toga branca, simbolizando sua pureza, honradez, honestidade. Não, não é piada. A pureza, a honradez e a honestidade desceram pelo ralo, mas o nome "candidato" permaneceu. Hoje, há uma lei para proibir candidatos que estejam com problemas na justiça. Só para se ter uma ideia, aproximadamente 35% dos deputados federais respondem por algum tipo de crime. E eles continuam elaborando as leis!! Aqui, nossa Câmara de Vereadores virou notícia no país por causa de alguns edis...

Outra expressão "colorida" comum em tempos de eleição é "imprensa marrom". Os sempre "honestos" defensores do (des)governo que está finalmente acabando vivem dizendo que no Brasil só há "imprensa golpista" ou "imprensa marrom". "Imprensa marrom" é o nome dado ao jornalismo sensacionalista, parcial, que adora escândalos e frequentemente distorce os fatos. Nos Estados Unidos, usa-se a expressão "yellow journalism" (ou "jornalismo amarelo"), que surgiu a partir de um personagem de quadrinhos que usava uma camiseta amarela com suas falas, sempre sensacionalistas (a história é longa, mas pode ser encontrada em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/mat2009g.htm). No Brasil, esta cor representa a covardia - "amarelar" é "acovardar-se". Aqui, trocaram a cor. Conta-se que, na década de 1960, o Diário da Noite, do Rio, então sob a liderança de Alberto Dines, fez uma cruzada contra a imprensa de escândalos. O chefe de reportagem, Calazans Fernandes, sugeria a troca de amarelo por marrom, alegando que "marrom é cor de mer...". Estava criada a expressão. Já imaginou se a moda pega? Como seria o jornalismo panfletário da Carta Capital ou do site Brasil247? "Imprensa vermelha", claro!