É hora de ele mostrar as propostas

Começou o "hilário eleitoral", como diria o José Simão. Muita gente não tem nem um pouco de interesse. Está tudo meio repetitivo. As propostas são as mesmas, as esperanças se renovam, o sonho está aí.

Esta semana, mais um candidato a qualquer cargo reclamava do adversário. "É hora DELE mostrar as propostas". Para muita gente, ninguém deveria fazer propostas. Ninguém cumpre mesmo! Cada candidato deveria simplesmente ficar denunciando os "deslizes" dos adversários.

Bom, mas vamos deixar essas posturas radicais de lado (não servem de nada mesmo) e explicar por que se deve dizer "É hora de ele mostrar as propostas". É comum, na nossa língua, a fusão entre a preposição "de" e o pronome oblíquo "ele", dando origem a "dele" (e variações). O mesmo ocorre com a preposição "em" quando se contrai com o pronome, originando as formas "nele", "nela", "neles" e "nelas".

Entretanto, não se deve fazer a contração se o pronome "ele" exercer a função de um sujeito de verbo no infinitivo. E é exatamente isso que ocorre na frase que estamos analisando. "Ele" é o sujeito do verbo "mostrar". Por isso, não deveria ser contraído com a preposição: "É hora de ele mostrar as propostas".

Se no lugar do pronome aparecer um substantivo antecedido de artigo, a contração também não deverá ser feita. Assim, devemos dizer que já é hora de os políticos corruptos serem banidos da vida pública (e não "já é hora dos políticos corruptos serem banidos").

Obviamente, essa regra não costuma ser observada na fala ou em contextos informais, mas é sempre bom conhecê-la. Da próxima vez em que encontrar um "de ele" ou "de ela" pela frente, não condene. Se o uso estiver correto, o pronome estará exercendo a função de sujeito de um verbo no infinitivo.

Até a próxima.