Ruas de Caruaru: Escuridão e insegurança - por Diogenes Barbosa

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL VANGUARDA
 
Ruas de diferentes bairros de Caruaru continuam às escuras por conta da falta de manutenção nos postes. Lâmpadas que deixaram de funcionar há meses ainda não foram substituídas, prejudicando milhares de pessoas de diferentes comunidades.
 
E há casos alarmantes. Dos 17 postes espalhados pela rua Vertentes, no bairro Boa Vista II, 12 deles estavam com as lâmpadas apagadas na noite da última terça-feira (23), quando a equipe de reportagem do Jornal VANGUARDA percorreu diferentes bairros para apurar a matéria.
 
A maior parte da rua só não fica completamente às escuras graças às luzes das residências. Mesmo assim, o trecho que fica nos fundos da Delegacia Seccional de Caruaru é bem crítico - situação que se agrava nos dias em que os refletores de um espaço poliesportivo próximo estão desligados.
 
O comerciante Marcelo Barros, de 37 anos, possui um estabelecimento no local. Ele afirma que a situação persiste há dois meses, período em que a Diretoria de Iluminação municipal já foi acionada várias vezes. "E me prejudica bastante, porque eu desenvolvo minhas atividades principalmente durante a noite. Para minimizar os riscos ao meu negócio e para os clientes, tive que colocar um refletor virado para a calçada. Isso porque quase todos os dias há relatos de pessoas que foram assaltadas aqui, e a escuridão é um dos motivos para isso acontecer", critica Marcelo.
 
Além do desconforto causado pela falta de iluminação pública, a instalação do refletor aumentará a conta mensal de eletricidade em cerca de 30%, assim como projeta o comerciante.
 
Em outro ponto da cidade, situação semelhante. A principal rua do bairro São Francisco, a Leão Dourado, também possui lâmpadas queimadas. Pior ainda: há muito mais tempo.
 
O taxista Petrônio da Silva, de 62 anos, trabalha no local diariamente e reclama que há problemas de iluminação faz pelo menos um ano. Ele afirma que já procurou a Prefeitura de Caruaru várias vezes, e também já acionou a Câmara de Vereadores (parlamentares que atuam no bairro), mas por enquanto nada foi feito.
 
Com a numeração de todos os postes da via que precisam de reparos em mãos, ele reforça o quanto que os profissionais que trabalham na redondeza durante a noite, ou até durante a madrugada, ficam expostos. "Após certo horário, os mercados, farmácias e outros estabelecimentos que funcionam aqui fecham. Resultado: a gente fica às escuras. Muitas vezes não tem como identificar quem é o passageiro, ou mesmo quando alguém se aproxima", observa.
 
Ele, que trabalha transportando clientes todos os dias, aponta que a situação é a mesma em diferentes bairros de Caruaru. "Inclusive na rua onde moro, no Santa Rosa, há três postes com lâmpadas apagadas", complementa.
 
Durante pouco mais de duas horas, a equipe de reportagem circulou por diferentes bairros de Caruaru para observar a situação. Também foram encontradas lâmpadas apagadas no Divinópolis (inclusive na Praça do Convento), no Petrópolis (nas proximidades da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru), no Nossa Senhora das Dores (até mesmo na Praça Getúlio Vargas, a praça do Rosário) e no Indianópolis (nas proximidades do Albergue Municipal).
 
O Jornal VANGUARDA entrou em contato com os representantes da Diretoria de Iluminação para confirmar se o material necessário para fazer os reparos já havia sido recebido (estava sendo aguardado há meses); se foi recebido, qual a previsão para a conclusão dos reparos; e de que forma está sendo organizada a estocagem de materiais, para evitar nova falta e, consequentemente, mais prejuízos para a população. No entanto, apesar da importância dos gestores públicos comentarem e discutirem o assunto, ninguém vinculado ao Governo Municipal foi indicado para responder aos questionamentos.
 
Em nota encaminhada por e-mail, os gestores informam que "o material chegou, mas como houve um atraso de três meses na entrega, as demandas acumularam. As reclamações que chegam à Diretoria de Iluminação estão sendo formalizadas e a manutenção será feita gradativamente. De início, serão priorizados pontos estratégicos, como ruas onde funcionam agências bancárias, escolas, creches e outros prédios públicos."
 
Quanto ao armazenamento de materiais, para evitar novos contratempos, que "será feita uma licitação e, assim que as questões burocráticas forem cumpridas, a prestação do serviço será normalizada."