Laércio Emídio:Vereadores e eleitores em baixa em Caruaru

As operações da Polícia Civil em Caruaru que receberam os nomes de Ponto Final I, II e III trouxeram à tona o verdadeiro perfil do eleitor da capital do Agreste. Pode-se deduzir que, segundo o que foi visto no material divulgado, 10 dos vinte e três vereadores só aprovariam projetos se fossem devidamente “gratificados”, ou seja, exigiam propina. A pergunta que fica diante da constatação desse crime por representantes legítimos do povo é: que artifícios foram utilizados no período eleitoral para conquistar o voto do eleitor?

No desempenho da função, esses edis se achavam “blindados” contra qualquer ação legal que os impedissem de praticar tais ilícitos. A legalidade jurídica da ação policial se pode questionar, mas o que se viu foi uma prática criminosa descarada. Os dez vereadores foram flagrados e contra fatos não há argumento. Podem até se colocar como vítimas de uma ação política articulada, mas não há montagens e nenhum deles e criança do tipo que só faz os que os adultos mandam. Eles o fizeram porque queriam enriquecer às custas do povo.

Da operação, dez foram presos. As outras perguntas que se podem fazer é: o eleitor, em momento algum do período eleitoral, percebeu nesses vereadores, à época candidatos, nenhum desvio de conduta que apontasse que futuramente agiriam dessa forma? Nenhum desses eleitos ofereceu qualquer vantagem em troca do voto? Nenhuma prática fisiológica foi percebida? Esse eleitor ou eleitora que hoje destila críticas à Câmara Municipal se questiona sobre o motivo que fez com votasse nesse tipo de parlamentar? Pois é, agora, dependendo do motivo do voto, não adianta reclamar e nem ter pena.

A conclusão dessa situação é a pior possível, pois pesa contra a Casa José Carlos Florêncio uma péssima impressão sobre vereadores que ali estão. Tanto contra os envolvidos como contra os demais que pagam por tabela. Já não bastasse isso, ainda tem naquela nobre instituição parlamentar chateado com os professores que os criticam. Tem até deles que acham que professor deveria perceber remuneração inferior ao salário dos edis. Sequer imaginam que eles, como um todo, são motivos de fortes críticas e de deboches no país todo. Dói muito mais quando ouvimos a crítica direcionada para nós eleitores. Que fique a lição, caso contrário, “QUANDO ACORDARMOS JÁ ESTAREMOS MORTOS”.