Laércio Emídio: Candidatura de Armando Monteiro aponta fragilidades.

Texto por Laércio Emídio

“De grão em grão a galinha enche o papo” é um dito popular muito conhecido e, em política, pode ser aplicado em diversas situações. Seja para detectar o crescimento da intenção de voto a determinado candidato, seja para, o inverso, mostrar uma possível queda daquele que aparece em situação confortável e, devido à movimentação dos seus opositores, ele começa a perder força e fôlego, ou tantos outros casos. O fato é que, isso evidenciado, sem que haja fatos novos, o quadro pode se tornar irreversível.

Em Pernambuco, por exemplo, as últimas pesquisas apontaram muito cedo para uma possível vitória esmagadora do então candidato petebista Armando Monteiro Neto. O Senador ao longo de sua história externou o desejo de ser Governador do estado. Um projeto aparentemente muito mais pessoal do que político. Pode-se até afirmar que a vontade é maior do que a persistência e, até mesmo, questionar-se se o trabalho nessa direção foi bem pensado, o que deixa a dúvida sobre a escolha correta de Monteiro com relação às lideranças que o apoiam ou diziam apoiar.

O primeiro grande problema do líder petebista é que não se pode identificar nele nenhum alinhamento ideológico em sua trajetória política. Isso faz despertar em todos os segmentos uma desconfiança. Parte da militância do PT, por exemplo, votará fechado com Paulo Câmara ignorando, inclusive, que o pessebista é cria de Eduardo, forte concorrente de Dilma. Empresários do Estado temem a vitória do Senador por conta da presença petista na aliança. Eles não querem a vitória de Dilma e nem a do PT em Pernambuco. O país desacelerou, mas o Estado não.

Ao poucos, com a Agenda 40, Paulo Câmara vai seguindo os mesmos passos do Neto de Arraes na campanha eleitoral em 2006, pesando ao seu favor a relação que o ex-secretário criou durante a sua gestão junto aos prefeitos. Toda semana um prefeito do PTB anuncia apoio ao socialista. Pra piorar a situação da aliança PTB/PT, DEM e SDD também declaram apoio à candidatura socialista. Câmara, de partido a partido, de liderança à liderança, vai costurando uma grande aliança.

A essa altura, lideranças petistas já questionam se a decisão de apoio ao PTB foi uma atitude sensata. No rítimo que vai e, se assim continuar, a opção será um grande entrave ao palanque de Dilma no Estado. Os joãopaulistas sabem que o deputado petista daria mais visibilidade, garantiria o apoio maciço dos setores sociais e sindicais e, já se pode afirmar que um palanque sem prefeitos, sem vereadores e sem os movimentos de base não se ganha eleição. Isso significa o apoio do povo. Ou seja, de apoio em apoio Paulo Câmara vai conquistando espaço. Falta agora ver a reação do Petebista.