Secretaria de Saúde reinicia reforma na sede do Samu Agreste, em Caruaru

Unidade apresenta rachaduras e equipamentos sucateados (Foto: Paulo Maciel/ Arquivo Pessoal)A reforma da Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi reiniciada nesta terça-feria (22) em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. O primeiro serviço realizado foi a retirada do entulho que estava acumulado na área externa do prédio.

Segundo a coordenadora do Samu, Ana Elisabeth França, os trabalhos devem ter uma sequência, agora sem interrupções. “Essa reforma é dividida em parcelas, com custeio tripartite entre Ministério da Saúde, estado e município. O estado não tinha repassado a parte dele e por isso nós tivemos que paralisar a obra por dois meses. A previsão é que a obra esteja concluída em quatro meses”, explica. A coordenadora disse ainda que no local devem funcionar a base de ambulâncias do Samu Agreste, além da Central de Regulação.

Ainda segundo Ana Elisabete França, a obra contempla também uma ampliação da estrutura para atender às necessidades da instituição. “A sala de regulação funcionará no pavimento superior.

A área de apoio administrativo, sala de treinamento, repouso dos funcionários estarão no pavimento inferior. Nós vamos ter aqui uma base de duas ambulâncias, sendo uma avançada e outra básica, e as demais ambulâncias serão descentralizadas na UPA das Renderias e na UPA Boa Vista”, conta.

De acordo com o Cremepe, na próxima segunda-feira (28) haverá uma reunião na sede da Secretaria Estadual de Saúde, no Recife, para discutir todos os problemas apresentados na sede da unidade.

Secretaria reconheceu problemas

A Secretaria Municipal de Saúde reconheceu na quinta-feira (27) os problemas na Central de Regulação do Samu em Caruaru e informou que eles seriam causados pelas obras paradas no estabelecimento. Sobre a pouca quantidade de profissionais - apontada pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) -, Ana Elizabeth afirma que "a quantidade de pessoal que existe hoje nas escalas da Regulação do Samu tem capacidade de atender pelo menos a 1,5 milhão de pessoas". Também com a conclusão da obra, um médico a mais será chamado para trabalhar, "porque a Sala de Regulação tem que ser ampliada e deve ter mais pontos de atendimento", diz.

A falta de vigilância 24 horas igualmente foi apontada. Ela falou que existe um porteiro no estabelecimento e que, após a reforma - ainda sem prazo para terminar -, haverá segurança em todo o expediente.

Entenda o caso

Foi solicitada ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) a interdição do Samu em Caruaru. De acordo com Paulo Maciel, diretor regional do Simepe, o pedido foi motivado pela falta de estrutura, observada durante uma fiscalização. A instituição informou ainda que comunicou ao Ministério Público do estado (MPPE) as possíveis irregularidades, para que as denúncias possam ser apuradas. O Samu Agreste é responsável pelo atendimento de mais de 50 municípios da região.

Segundo Maciel, há meses o equipamento que grava as ligações recebidas pelo Samu está quebrado. “O serviço que fazemos é de telemedicina. Através do telefone é que definimos o tratamento de pacientes graves. O médico pode ainda ajudar os acompanhantes em casos de engasgamento ou enfarto. Uma ligação que deveria durar três minutos pode chegar a 10 minutos por problemas técnicos. O prédio está cheio de rachaduras”, afirma. Ainda segundo Maciel, o local não oferece segurança para os médicos, nem quartos separados para homens e mulheres.

Ele disse ainda que aproximadamente 25 cidades não têm médicos dando plantão durante todos os dias da semana. “Havia problemas com as ambulâncias, mas foram consertadas. Já as motolâncias estão inoperantes. Todas quebradas. Conserta um dia e com uma semana não funciona mais. Os telefones, rádios e computadores estão sucateados, o que prejudica o atendimento aos pacientes”, explica.

Fonte: G1