Teoria das prisões - por Alexandre Garcia

 

Neste ano, até agora, o assunto tem sido presídio. E tenho ouvido e lido muita asnice nas teorias para resolver a situação. A primeira delas talvez seja a de não prender mais. Se os presídios estão superlotados, então a solução é não botar ninguém mais lá dentro. Alguns luminares chegaram a culpar pelas matanças os que prendem e os que condenam. Quer dizer, os culpados pelas mortes em presídios são os policiais e os juízes. É por causa desse tipo de gentalha que nós estamos presos atrás de nossas grades. Vamos deixar os bandidos nas ruas para que a matança não seja entre eles, mas entre nós. E aí os decapitados não serão bandidos, mas os assaltados que reagirem.

Por falar em reação, foi preso no Rio de Janeiro o turista americano que reagiu a um assalto, capturou o assaltante e deu-lhe uma boa sova. O americano tem o hábito de reagir. Lá, são estimulados a reagir. A arma em casa está lá para isso. Quase 100% dos lares têm arma para proteção da família. E o próprio estado americano reage e avisa: “Respeite nossos direitos, ou reagiremos”. Por aqui, tudo se resume no conselho dado pela delegada que prendeu o americano: “Não reaja”. Faltou dizer que devemos ser cordeirinhos na tosquia ou no matadouro. E os bandidos, por aqui, agem com a maior desenvoltura, na certeza de que ninguém tem arma para reagir. E ainda são elogiados por nós, jornalistas, que qualificamos suas ações de “audaciosas” e chamamos quadrilhas de “especializadas”. É de ficar boquiaberto.

Agora se fala em indenizar as famílias dos decapitados, sob o argumento de que estavam sob a proteção do estado. Ora, estamos todos sob a proteção do estado, é o que diz a Constituição. Será que as famílias dos mortos em assaltos, em “balas perdidas”, poderão, doravante, pedir indenização ao estado? Argumentam também, os luminares da mentira, que 42% dos presos(vejam só a minúcia do percentual) são presos de menor poder ofensivo, são ladrões de galinha. Não é verdade. Pode ser que a primeira condenação tenha sido por furtar galinha, mas o juiz percebeu que o réu já responde por três homicídios ainda não julgados e sete furtos, tampouco julgados. Para proteger a sociedade, como é dever do juiz, mandou-o para a cadeia, para que não continue a delinquir. Além disso, é bom lembrar, as audiências de custódia já mantêm muito assaltante em exercício da atividade, já no dia seguinte. Isso sem contar os milhares de condenados que estão nas ruas porque não foram encontrados para executar o mandado de prisão.

Dizem que cadeia no Brasil não tem jeito. É mentira. Vejam os presídios federais. Limpinhos, seguros, sem caso de fuga, sem celular, sem comunicação com o exterior. Por que os estados não conseguem seguir o modelo? Parece proposital que não haja interesse em alterar essa situação. Será por quê? Nas prisões estaduais as facções dominam, e há autoridades que recebem pedágio, não é mesmo? E, entre as teorias dos luminares, cheguei a ouvir este absurdo: assim como a política teve ligação com as Farc, que tem ligação com o crime no Brasil, a tragédia nas prisões busca um movimento para tirar da cadeia quem não tiver crime de sangue. Aí, quem sabe, esvaziam-se as prisões de Curitiba. Claro que não acreditei em mais essa teoria.

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