A eficácia de certos serviços privatizados.

A entrega à iniciativa privada da gestão de serviços públicos tem sido arma do governo Michel Temer (PMDB) e de governos estaduais e municipais contra a crise. A promessa é de reduzir despesas e melhorar a qualidade dos serviços. O Eldorado: ter mais gastando menos. A prática, porém, não tem confirmado a teoria. E, nos últimos dias, os defensores das privatizações e concessões passaram a ter situações extras a justificar.

Pois os presídios de Manaus eram privatizados. Mesmo assim, os custos eram quase o dobro da média nacional. Sobre a gestão, desnecessário falar: uma tragédia humanitária.

Outro exemplo que põe em questão a alardeada maior eficiência da iniciativa privada. Sempre que se quer defender privatizações, o caso das telecomunicações é citado como grande exemplo de sucesso. Como os investimentos privados foram cruciais para a difusão da telefonia celular. Tudo bem. A qualidade do serviço é que nunca foi essas belezas todas. E, em dezembro, foi aprovado pacote que doa patrimônio público na casa das centenas de bilhões para as teles e ainda anistia outros tantos bilhões em multas. A tramitação-relâmpago durou sete dias, sem nem passar pelo plenário.

Um desavisado pensaria se tratar de País muito bem economicamente. Mas, não. É País em crise e que aprovou restrição de investimentos em saúde e educação.

A questão é um escândalo em si. Mas, para a discussão feita aqui, o que importa é: se as teles são esse exemplo todo de boa gestão, por que dependem dessa benevolência governamental?

Não estou aqui defendendo a estatização desenfreada, que os braços do governo alcancem todas as atividades. Há setores que devem ser geridos pelo governo, outras atividades nas quais a iniciativa privada pode ser parceira e outras ainda na qual nem é papel do Estado se meter.

Tem gestão privada boa e ruim, como também existe gestão pública boa e ruim. Tem corrupção nos serviços privatizados, como há na gestão pública. A Lava Jato, não custa lembrar, refere-se a corrupção na relação público-privado. E há serviços essenciais, que o Estado não deveria delegar.

O que discordo é da ideia de que um lado tem tudo de bom e outro concentra os males do mundo. São ideologias, liberal de um lado e nacionalista do outro. Mas, que não encontram, em sua plenitude, respaldo na realidade.

Por Érico Firmo. Jornal o povo de Fortaleza-CE