Nossa Língua: Menelau Júnior

O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também em uma emissora de rádio e de tv de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista do jornal Vanguarda e da TV Criativa.

Prejulgamento ou pré-julgamento?

A primeira página do Diário de Pernambuco de quinta (11 de maio) estampava a seguinte manchete: "LULA DIZ SER VÍTIMA DE PREJULGAMENTO". O jornal errou feio na grafia "prejulgamento".

Após o acordo ortográfico de 2009, o hífen após o prefixo "pré-" passou a ser adotado seguindo regras de pronúncia e acentuação. É meio abstrato, é verdade, mas é possível compreender com um pouco de atenção.

Quando o prefixo "pré-" é pronunciado de forma tônica, ou seja, com força, mantendo sua autonomia fonética em relação à palavra seguinte, o hífen deve ser usado. É o que ocorre com "pré-história" e "pré-natal", por exemplo.

Mas quando esse prefixo é pronunciado de forma átona, claramente "apoiado" na sílaba seguinte, o hífen não é usado. É o que ocorre com "preconceito" e "preconcebido".

NO CASO EM QUESTÃO, O PREFIXO "PRÉ-" MANTÉM SUA INDEPENDÊNCIA FONÉTICA EM RELAÇÃO À PALAVRA "JULGAMENTO". PORTANTO, A GRAFIA CORRETA SERIA "PRÉ-JULGAMENTO", COM HÍFEN.

No jornalismo, existe uma máxima que afirma que "título bom é título que cabe". Talvez o jornalista tenha optado por "prejulgamento" para que a palavra coubesse no espaço disponível. De qualquer forma, prestou um desserviço à língua portuguesa.

Já Lula, pobrezinho, é a criatura mais injustiçada deste país. Usou, durante as cinco horas de depoimento, 82 vezes (sim, OITENTA E DUAS VEZES) a expressão "não sei". Ou seja, uma vez a cada 4 minutos. Uma pessoa que não sabe de nada está mesmo sendo pré-julgada pelos "coxinhas".

Até a próxima.