Nossa Língua: Menelau Júnior

O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também em uma emissora de rádio e de tv de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista do jornal Vanguarda e da TV Criativa.

Sobre o Dia Internacional das Mulheres - por Menelau Júnior

 

Elas querem assumir o corpo sem se importar com os modelos impostos pela sociedade; querem exercer uma profissão que lhes dê prazer e que as realize; querem vestir roupas curtas sem que isso seja visto como uma permissão a cantadas ou afrontas ainda piores. Enfim, as mulheres do século 21 querem ser livres para fazer suas escolhas, mesmo quando estas quebram tabus sociais e incomodam os mais conservadores.

Em todo o mundo, o movimento feminista ganhou muitas adeptas na última década. Levantando bandeiras como o aborto, os direitos sociais iguais entre gêneros e a liberdade sexual, as feministas têm levado a sociedade a discutir tabus e a rever conceitos. E mesmo que essa discussão muitas vezes fique relegada a segundo plano, em função de métodos considerados radicais por alguns, ela tem feito a sociedade mudar aos poucos. Nas décadas de 60 e 70, a atriz Leila Diniz tornou-se porta-voz do discurso de liberdade sexual. Exibiu sua gravidez de biquíni e declarou que "transava de manhã, à tarde e à noite". Hoje, esse discurso libertário encontrou nas redes sociais um importante aliado. Relatos como os da campanha "Primeiro Assédio" mostram que as mulheres, sim, ficam incomodadas com as cantadas e insinuações masculinas, o que pode ter como reflexo um comportamento mais contido entre os homens.

Outro aspecto que mostra mudanças é a aceitação do corpo e de outras características físicas. Hoje, já existem muitas mulheres que aceitam seus cabelos crespos ou os quilinhos "fora do padrão". Numa reação à homogeneidade da indústria da moda, jovens negras adotam turbantes e cachos; nas escolas, as meninas invadiram as aulas de futsal; e cantoras negras como Beyoncé ou musas do funk feminista, como Ludmilla, levam o discurso do empoderamento feminino a uma geração de pré-adolescentes que já lutam por igualdade.

Mas se essas mudanças apontam para uma sociedade mais tolerante e igualitária, há pelo menos dois grandes problemas a superar: as diferenças no mercado de trabalho e a violência de gênero. No caso do Brasil, as mulheres recebem em média 30% a menos que os homens mesmo quando exercem a mesma função. E nos últimos 15 anos, cresceu assustadoramente o número de casos de violência física e homicídios entre as mulheres, o que revela uma sociedade que não consegue se livrar de seu machismo histórico.

É, pois, nesses dois campos que as maiores batalhas ideológicas precisam ser travadas: políticas públicas mais eficientes precisam proteger as mulheres da violência - como a ampliação da rede de proteção e de denúncia contra esse tipo de crime. O Ministério do Trabalho precisa ser mais rigoroso na fiscalização de empresas que exploram a mão de obra feminina a preços inferiores aos pagos aos homens. E a sociedade como um todo deve estar atenta aos abusos que, infelizmente, ainda são cometidos contra as mulheres.