Nossa Língua: Menelau Júnior

O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também em uma emissora de rádio e de tv de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista do jornal Vanguarda e da TV Criativa.

Não ao vilipêndio de cadáveres

Esta semana, a morte de mais de 70 pessoas no voo que levava jogadores da Chapecoense à Colômbia deixou o mundo perplexo. Nessas horas de dor e desolação, surgem os melhores e piores sentimentos do ser humano.

Ver uma das maiores bandas do rock de todos os tempos, o Guns n´ Roses, homenageando a "Chape", ou mesmo clubes como o Barcelona prestando também honrarias é realmente emocionante. Mas há outro lado, vergonhoso: a exposição dos cadáveres.

O vilipêndio de cadáveres é considerado crime contra o respeito aos mortos, previsto no artigo 212 do Código Penal Brasileiro e pode ser punido entre um a três anos de reclusão e pagamento de multa. É a Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Mas muitas pessoas, desde o acidente, têm-se movimentado nas redes sociais contra a exposição dos cadáveres dos jogadores e jornalistas. É justo.

Já passou da hora de termos mais respeito não apenas com os mortos, mas também com os familiares que passam por um momento tão difícil. A "carniçaria" perpetrada por boa parte dos brasileiros expõe não apenas quem não pode mais se defender, mas desrespeita pais, mães, filhos... Quem recebe essas imagens via whatsapp deve saber que, ao compartilhar, está cometendo também um crime. E isso só se tornou "comum" porque muita gente adora ver e compartilhar!!!

Fiquemos com as demonstrações de carinho e respeito que vieram de várias partes do Brasil. Fiquemos com o exemplo de tantos clubes, dispostos a ajudar a Chapecoense a prosseguir - um exemplo que deveria ser visto por imbecis que acham que um time de futebol justifica a selvageria nos estádios. Fiquemos com o exemplo do Nacional, que enfrentaria a Chape e já renunciou ao título. Enfim, fiquemos com a consternação e com o respeito. Não precisamos ficar com as fotos de quem perdeu a vida. Humanizemo-nos.

Até a próxima