Nossa Língua: Menelau Júnior

O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também em uma emissora de rádio e de tv de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista do jornal Vanguarda e da TV Criativa.

Palavrinhas capciosas

Na hora de escrever um texto, é preciso cuidado. Creio que a economia de palavras é quase sempre um bom negócio. O rebuscamento era para os barrocos.

Pensemos em algumas palavras e expressões usadas sem cautela. Uma delas é "próprio". Não há necessidade de usá-la em algumas situações. Por exemplo: em reportagem sobre o suicídio de um cantor, a jornalista disse: "Ele deu um tiro na própria cabeça". Observe que não é preciso dizer "na própria cabeça". Se alguém atira na cabeça de outra pessoa, aí sim seria preciso dizer o nome da vítima. Mas, no caso acima, "ele deu um tiro na cabeça" já seria suficiente.

Outra situação em que a palavra "sobra": "Ela vai levar o próprio filho para passear". Qual a função de "próprio" aí? Nenhuma! Basta dizer (ou escrever) "Ela vai levar o filho para passear".

Obviamente, a palavra é usada adequadamente quando se diz (ou se escreve) "Dr. Estranho é um filme próprio para adolescentes" (quer dizer "adequado"). Pode ter também o significado de "inerente", como em "Rebeldia é próprio da adolescência", "Sonhar é próprio do ser humano".

Aos meus queridos jornalistas, chamo a atenção ao emprego da palavra "questionar". Não é adequado usá-la no sentido de perguntar. Na verdade, "questionar" significa "pôr em dúvida". Assim, podemos dizer que o deputado questionou as declarações do ministro (ou seja, pô-las em dúvida). Quando se faz uma pergunta, usemos o óbvio: o verbo "perguntar".

Até a próxima